Cria-reencontro

 

Depois de tanto tempo
Aquilo que é deixado de lado,
não curado,
cresce.

(E se, mal, enfrenta com muita força
Aquilo que de bem, frequente,
costume 
se tornou.)

Daí, é preciso milagre,
como noite estrelada em cidade grande, iluminada – ontem eu vi
Pra lembrar que
o bem cotidiano
está lá,
Tão maior
que quase não se vê.

É preciso parar,
(-)
Prestar muita atenção

Pra percebê-lo
E reencontrá-lo, pra fortalecê-lo
e enfrentar o mal não curado, encantonado.

E então recriar o bem
cotidiano
maior
(sempre) presente.

A.E.M. 10/03/14

Nós

 

Nó que de aço se enlaça na garganta,

Se desenlaça com outro laço,

Laço de braço:

                        Abraço

 

 

 

 

A.M. 21.01.14

eclesia

No fim-da-cidade
A gente encontra a possibilidade
de recomeçar.

Do lado de fora
Pra resolver por dentro

Chamado-chamadas
Re-clamar
(clamar)

Alívio

Re-coméço

 

 

Para Bia e Mari,
A.M. 08/11/13

É preciso deixar o cântaro

Hoje Jesus visitou nossa igreja. Não estava saltando, seu andar era trôpego. Seus olhos não pareciam com fogo, eram negros. Seus cabelos não estavam brancos como a neve, eram pretos e estavam bem embaraçados. Suas roupas várias sobrepostas, bem sujas, de sujeira das ruas. Ele apareceu não como costumamos cantar.

Hoje Jesus visitou nossa igreja. Sua pela negra, seu rosto sem barba, dos seus olhos caíam lágrimas e em seus lábios se formavam um tão lindo sorriso (ah, Jesus, que sorriso!). Ele apareceu não como costumamos representar.

Seu nome? Marcilene, entendeu o pastor quando irmã a Francisca falou. MAR-CI-LEI-DE, corrigiu o irmão Weber.

Orou em silêncio. Tinha que pegar na mão daquela moça. Riu de um dos meninos sapecas que parou e ficou olhando. Tomou um cafézinho na porta com o pastor.

Na saída com um sorriso, um pão e vários abraços, Jesus foi embora com seu companheiro: um cachorrinho lindo e bem cuidado, como observou o César.

Dois mistérios ficam em meu coração: o que Jesus veio fazer entre nós? Qual era o nome do seu cachorrinho?

(Se você não acredita que era Jesus é só ler Gênesis 1.27 e Mateus 25. 35-40, e eu, eu precisava largar meu cântaro e contar – João 4.28a)

A. M. 06/10/13

Educação

 
 
 
 
Isto tudo é muito maior que eu,
Mas
Cabe em mim.
 
 
Como organizar
o que por si só é livre?
 
 
(Como uma oração,
“Não me deixe desistir!”)
 
 
Como dar conta de ensinar
a transformar?
 
 
Como sobreviver a esta angústia
por dentro?,
Como resistir a esta força destruidora
por fora?,
que querem nos explodir?
 
 
 
 
 
A.M. 12/06/13.

Riso-sério

eu quero o riso Verdadeiro
não uma piada ofensiva.
Porque rir do outro,
por ser diferente,
é só infelicidade,
tristeza,
miséria.
Miséria da alma.
 
Eu quero o riso de verdade.
Da verdade.
Eu quero o riso que ri
de alegria,
de dignidade.
 
Alegria, e não opressão
pela diferença.
Dignidade.
 
Alegria e diferença
Celebração das diferenças!
Essa, sim, é alegria.
Esse, sim, é riso.
Riso bom.
Riso sério.
 
 
A.M. 25/01/13
Refletindo sobre uns “humores” por aí… ¬¬

Sonho

De olhos – tranquilamente – fechados,
minha cabeça recostada em teu ombro,
minha testa em tua bochecha,
teus lábios em meu nariz,
eu ouvi,
juro que ouvi,
bem baixinho, ouvi:
“você é o amor da minha vida.”
 
 
 
 
A.M. 
Floripa, 16/03/13